ENSINO ESPECIALIZADO


“O atendimento educacional especializado tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela.”

Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, MEC, OUTUBRO DE 2007







sexta-feira, 26 de abril de 2013

domingo, 21 de abril de 2013

Compartilhando Experiências


Compartilhando experiências: alunos atendidos pelo ensino especializado
            As atividades aqui descritas foram realizadas durante o ano letivo de 2011 e de 2012, na Sala de Recurso do Campi Engenho Novo, sendo que uma atividade no Ensino Fundamental I(vídeo) e a outra no Fundamental II (palavras cruzadas), usando software free disponíveis na internet.     
              Todas as propostas de mediação e intervenção nos processos de aprendizagem foram pensadas a partir dos conceitos de inteligência coletiva[1] e aprendizagem colaborativa[2].
RELATOS:
  • Aluno do segundo ano do Ensino Fundamental, com diagnóstico a princípio de Transtorno Geral do Desenvolvimento e depois de Déficit Intelectual. Apresentava dificuldades de relacionamento, de compreensão, de expressão, fixação em objetos e temáticas. No ano que trabalhamos juntos, seu objeto preferido era a data show[3], por isso fizemos alguns vídeos para serem exibidos a sua turma. O trabalho aqui apresentado usou como recurso a MÁQUINA DE QUADRINHOS[4], do site da Turma da Mônica e o Movie Maker[5]. Esse foi o primeiro vídeo que realizamos e ajudou muito na integração com a turma. Aconteceu uma parceria com professora e outros alunos foram coautores, estiveram junto com o K na confecção de novas histórias em quadrinhos.



  • Aluno do sexto ano do Ensino Fundamental, dislexo, participa de um dos grupos de estudo e  trabalho que são essencialmente heterogênios, organizados na Sala de Recursos, com o objetivo de produzir jogos que ajudem a todos a compreender e a usar os conteúdos apresentados na sala de aula.O jogo de palavras cruzadas foi elaborado no HOT POTATOES, soft livre e que pode ser baixado no computador, ou na sua versão portátil no pendrive. Esses jogos são jogados pelos DI, TGD, DA, DV. Um exemplo desse trabalho pode ser encontrado no endereço : file:///C:/Documents%20and%20Settings/m%C3%A1rcia%20maria%20maretti/Meus%20documentos/Downloads/cores%20ingles%20(2).htm



Visite nosso site:
 Aprendizagem Colaborativa.



[1] Inteligência coletiva é um conceito surgido a partir dos debates promovidos por Pierre Lévy sobre as tecnologias da inteligência, caracterizado por um novo tipo pensamento sustentado por conexões sociais que são viáveis através da utilização das redes abertas de computação da Internet É uma inteligência distribuída por toda a parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências
[2] Aprendizagem colaborativa é basicamente definida como uma processo educativo em que grupos de alunos trabalham em conjunto tendo em vista uma finalidade comum.
[3] Data show é um projetor de vídeo processa um sinal de vídeo e projeta a imagem correspondente em uma tela da projeção usando um sistema de lentes. 
[4]  Infelizmente esse site foi retirado do ar. Ele podia ser acessado em http://www.maquinadequadrinhos.com.br/
[5] Movie Maker é um software de edição de vídeos da Microsoft. Atualmente faz parte do conjunto de aplicativos Windows Live, chamado de Windows Live Movie Maker .


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Retardado aos 8 anos

http://carpinejar.blogspot.com.br/2012/01/retardado-aos-oito-anos.html

Mãe é exagerada. Sempre romantiza a infância do filho. A minha, Maria Carpi, dizia que eu fui um milagre, que enfrentei sérias rejeições, que não conseguia ler e escrever, que a professora recomendou que desistisse de me alfabetizar e que me colocasse numa escola especial.

Eu permitia que contasse essa triste novela, dava os devidos descontos melodramáticos, entendia como licença poética.

Até que mexi na estante do escritório materno em busca do meu histórico escolar.

E achei um laudo, de 10 de julho de 1980, assinado por famoso neurologista e endereçado para a fonoaudióloga Zulmira.

“O Fabrício tem tido progressos sensíveis, embora seja com retardo psicomotor, conforme o exame em anexo. A fala, melhorando, não atingiu ainda a maturidade de cinco anos. Existe ainda hipotonia importante. Os reflexos são simétricos. Todo o quadro neurológico deriva de disfunção cerebral.”

Caí para trás. O médico informou que eu era retardado, deficiente, não fazia jus à mentalidade de oito anos. Recomendou tratamento, remédios e isolamento, já que não acompanharia colegas da faixa etária.

Fico reconstituindo a dor dela ao abrir a carta e tentar decifrar aquela letra ilegível, espinhosa, fria do diagnóstico. Aquela sentença de que seu menino loiro, de cabeça grande, olhos baixos e orelhas viradas não teria futuro, talvez nem presente.

Deve ter amassado o texto no bolso, relido sem parar num cantinho do quintal, longe da curiosidade dos irmãos.

Mas não sentiu pena de mim, ou de si, foi tomada de coragem que é a confiança, da rapidez que é o aperto do coração. Rejeitou qualquer medicamento que consumasse a deficiência, qualquer internação que confirmasse o veredito.

Poderia ter sido considerada negligente na época, mas preferiu minha caligrafia imperfeita aos riscos definitivos do eletroencefalograma. Enfrentou a opinião de especialistas, não vendeu a alma a prazo.

Ela me manteve no convívio escolar, criou jogos para me divertir com as palavras e dedicou suas tardes a aperfeiçoar minha dicção (lembro que me fazia ler Dom Quixote, e minha boca andava apoiada no corrimão dos desenhos).

Em vez de culpar o destino, me amou mais.

Na vida, a gente somente depende de alguém que confie na gente, que não desista da gente. Uma âncora, um apoio, um ferrolho, um colo. Se hoje sou escritor e escrevo aqui, existe uma única responsável: Maria Carpi, a Mariazinha de Guaporé, que transformou sua teimosia em esperança. E juro que não estou exagerando.
Fabrício Carpinejar
Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 17/1/2012
Porto Alegre (RS), Edição N° 16950